78% das empresas esperam mais risco em comunicações com IA — mas só 19% conseguem provar governança

Entercast Consulting·

Uma pesquisa da Arctera, divulgada em 21 de julho com a Hanover Research, entrevistou 500 profissionais de compliance nas Américas e na Europa, em setores como financeiro, saúde e energia. O resultado expõe uma lacuna que muitas empresas ainda não perceberam: 78% esperam que o risco relacionado a comunicações com IA aumente nos próximos 12 a 24 meses, mas menos de uma em cada cinco (19%) conseguem efetivamente provar que a governança de IA está funcionando.

O que mudou

Segundo o relatório, 55% das empresas já têm o básico de governança implementado — políticas, treinamento, etapas de revisão. Mas apenas 19% têm a camada de evidência necessária: registro (logging), retenção, detecção e pontuação de risco que permitem provar, depois do fato, o que a IA gerou, quem revisou, para onde foi e se o registro foi mantido.

Por que isso importa

Ter uma política de IA no papel não é o mesmo que conseguir demonstrar, para um regulador, um auditor ou um cliente, que aquela política realmente foi seguida em cada decisão. A maioria das empresas hoje consegue dizer "temos regras" — mas não consegue mostrar o rastro que prova que as regras funcionaram numa interação específica.

O impacto para o Brasil

Empresas brasileiras em setores regulados — bancos, seguradoras, saúde — que estão avançando na adoção de IA para atendimento, análise de crédito ou comunicação com clientes correm o mesmo risco identificado pela pesquisa: escrever a política é a parte mais fácil. A parte que realmente protege a empresa numa fiscalização ou numa disputa judicial é ter log auditável de cada decisão relevante gerada por IA — e isso raramente está no orçamento inicial de um projeto de IA.

Leitura da Entercast

Esse dado confirma o que temos batido nos últimos posts: governança de IA não é documento, é infraestrutura. Uma empresa que investe em política sem investir em capacidade de auditoria está construindo uma defesa que não resiste ao primeiro questionamento real. Antes de escalar o uso de IA em processos que tocam cliente ou decisão regulada, vale perguntar: se um regulador pedisse para provar o que aconteceu numa interação específica há seis meses, a empresa conseguiria responder?