Alessio Alionço, CEO da Pipefy, disse à TI INSIDE nesta semana que a pressão para adotar IA está gerando tensão real entre as áreas de negócio e de TI dentro das empresas brasileiras — e que a região vive um paradoxo: interesse corporativo abundante em IA, mas pouca governança e conhecimento técnico para sair da fase de piloto.
O que mudou
Segundo o próprio CEO, o padrão que ele observa é: a liderança de negócio (ou o próprio CEO) pressiona por adoção de IA e ganho de eficiência rápido, a área de negócio quer usar IA para melhorar qualidade de vida no trabalho, e a TI fica no meio, tentando entregar isso de forma segura e escalável — sem o tempo ou governança necessários. Alionço também aponta que muitas empresas prometeram resultados de IA e não entregaram, o que aumenta ainda mais a pressão sobre a área técnica.
Por que isso importa
Esse relato não é uma opinião isolada — é a descrição, na prática, do exato gargalo que temos discutido nos últimos posts: a diferença entre comprar acesso a um modelo de IA e efetivamente rodar IA na operação com segurança. Quando a pressão por resultado rápido supera a capacidade real de governança da empresa, o piloto vira uma fonte de atrito interno em vez de valor.
O impacto para o Brasil
O diagnóstico de Alionço bate com o que fundos de dados de adoção corporativa no Brasil já mostram: segundo o Estudo de Tendências de Capital Humano 2026 da Aon, 96% das organizações brasileiras acreditam que a IA vai gerar novas oportunidades, mas apenas 35% dizem já ter implementado soluções de IA de fato. O gargalo não é falta de interesse — é falta de estrutura interna para transformar interesse em execução.
Leitura da Entercast
Esse é exatamente o argumento que fizemos no post "Do piloto à escala": a pressão de cima para baixo por resultado rápido, sem investimento equivalente em governança, dados e processo, empurra a TI para prometer o que não consegue sustentar. A saída não é reduzir a ambição de adoção de IA — é alinhar o ritmo da pressão por resultado com o ritmo real de maturidade de governança da empresa, para que a próxima onda de projetos não repita o mesmo atrito que o CEO da Pipefy está descrevendo hoje.